Mato Grosso enfrenta mais um dia de atenção devido aos incêndios durante o período de estiagem. Nesta sexta-feira (28), 12 ocorrências estavam sendo combatidas em diferentes municípios do Estado, enquanto dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 125 focos de calor registrados nas últimas 24 horas.
As ocorrências acompanhadas pelo Corpo de Bombeiros estão distribuídas entre Juína, Cáceres, Guiratinga, Chapada dos Guimarães, Alto Araguaia, Nossa Senhora do Livramento, Cocalinho, Novo Mundo, Paranatinga, Marcelândia e Várzea Grande.
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Cáceres concentra duas das ocorrências em andamento. Nos demais municípios citados, há um incêndio sendo combatido em cada localidade.
O cenário ocorre durante o período de estiagem, quando a combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação mais seca pode favorecer a propagação do fogo. Além dos incêndios já identificados, o monitoramento por satélite permite acompanhar regiões que apresentam alterações de temperatura e podem indicar a presença de queimadas.
As equipes mobilizadas para os incêndios atuam em diferentes frentes, incluindo combate às chamas, acompanhamento das áreas afetadas e tentativa de impedir que o fogo avance para propriedades, áreas de vegetação e regiões habitadas.
Em algumas situações, a operação pode contar com aeronaves e apoio de outros órgãos públicos. A estrutura inclui o Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), a Defesa Civil Estadual, o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e a Polícia Militar.
O levantamento mais recente do Programa BDQueimadas, do Inpe, registrou 125 focos de calor em Mato Grosso nas últimas 24 horas. A medição foi realizada até as 17h, utilizando dados do satélite de referência Aqua Tarde.
A maior parte dos registros ocorreu no Cerrado, com 89 focos. Outros 33 foram identificados no bioma Amazônia e três no Pantanal.
Os números mostram que a pressão sobre diferentes áreas do território mato-grossense permanece durante o período de seca.
Entretanto, o número de focos de calor não deve ser interpretado automaticamente como quantidade de incêndios.
Um foco detectado por satélite representa uma área com temperatura elevada que pode estar relacionada à presença de fogo, mas também pode ter outras explicações. Por isso, um único foco não significa necessariamente que exista um incêndio florestal de grandes proporções.
A identificação de um incêndio depende da análise conjunta das informações e da concentração dos focos em determinada área.
Essa diferença é importante porque os dados de satélite funcionam principalmente como ferramenta de monitoramento. Eles ajudam a apontar locais que precisam ser observados, mas não substituem a verificação das condições existentes em campo.
Dos 125 focos identificados no Estado, 32 estavam localizados em Terras Indígenas.
A maior concentração foi registrada na Terra Indígena Areões, em Nova Nazaré, com 10 focos. Na Terra Indígena Nambikwara, em Comodoro, foram identificados sete.
Outros quatro focos apareceram na Terra Indígena São Marcos, em Barra do Garças.
Também foram registrados dois focos nas Terras Indígenas Parabubure, em Campinápolis; Pimentel Barbosa, em Ribeirão Cascalheira; e Ubawawe, em Novo São Joaquim.
Com um registro cada, aparecem as Terras Indígenas Enawenê-Nawê, em Juína; Marechal Rondon, em Paranatinga; Roosevelt, em Rondolândia; Sangradouro/Volta Grande, em Poxoréu; e Sararé, em Pontes e Lacerda.
A atuação em Terras Indígenas segue regras específicas de competência. Conforme as informações divulgadas, o combate a incêndios nessas áreas cabe aos órgãos do Governo Federal, já que o Estado não possui autorização para atuar diretamente nesses territórios.
O Estado está dentro do período em que o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais está proibido nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.
A restrição começou em 1º de julho e permanece até 30 de novembro de 2026.
Nas áreas urbanas, a utilização do fogo é proibida durante todo o ano.
A medida busca reduzir o risco de queimadas provocadas durante a época de maior vulnerabilidade da vegetação. Com a seca, uma queimada que começa em uma área determinada pode se espalhar rapidamente, especialmente quando há vento e baixa umidade.
Além do risco de incêndios de grandes proporções, a fumaça das queimadas pode afetar a qualidade do ar e aumentar problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
O fogo também pode provocar danos à vegetação, matar animais e atingir áreas produtivas ou estruturas próximas.
Além do combate aos incêndios já existentes, o Estado mantém ações de monitoramento para identificar possíveis queimadas irregulares.
Uma dessas iniciativas é a Operação Infravermelho, realizada a partir da Sala de Situação Central instalada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá.
O monitoramento utiliza imagens de satélite e outras ferramentas tecnológicas para localizar alterações que possam indicar uso irregular do fogo.
A intenção é identificar áreas de risco e possíveis queimadas ilegais com maior rapidez, permitindo que os órgãos responsáveis adotem medidas de fiscalização e responsabilização quando houver indícios de infração.
O uso irregular do fogo durante o período proibitivo pode resultar em penalidades administrativas e também configurar crime ambiental, dependendo das circunstâncias.
Desde o início do período de proibição, ocorrências de incêndio já foram registradas em diversos municípios mato-grossenses e posteriormente tiveram o fogo extinto.
Entre as cidades estão Água Boa, Aripuanã, Boa Esperança do Norte, Bom Jesus do Araguaia, Canarana, Chapada dos Guimarães, Colíder, Colniza, Dom Aquino, Feliz Natal, Guarantã do Norte, Guiratinga, Lambari D’Oeste, Matupá, Nova Maringá, Nova Ubiratã, Paranatinga, Peixoto de Azevedo, Primavera do Leste, Ribeirão Cascalheira, Rondonópolis, Rosário Oeste, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia e União do Sul.
A relação mostra que o problema não está concentrado em apenas uma região do Estado.
A distribuição dos incêndios acompanha a extensão territorial de Mato Grosso, que possui áreas de Cerrado, Amazônia e Pantanal, além de extensas regiões rurais.
Um dos principais cuidados durante o período de estiagem é não confundir qualquer registro de fogo detectado por satélite com um incêndio florestal.
Os chamados focos de calor são indicadores utilizados para localizar áreas com temperatura acima do padrão identificado pelo satélite. Eles podem estar associados a queimadas, incêndios ou outras fontes de calor.
Quando vários focos aparecem próximos uns dos outros, a possibilidade de existência de um incêndio ganha relevância e passa a ser analisada pelas equipes responsáveis pelo monitoramento.
Por isso, os números do Inpe são importantes para acompanhar a situação ambiental, mas precisam ser interpretados dentro de um conjunto maior de informações.
Com a proibição em vigor, a orientação para moradores e produtores é evitar qualquer prática que envolva fogo para limpeza de terrenos ou manejo de áreas.
A realização de queimadas sem autorização, além de representar risco de perda de controle das chamas, pode gerar consequências ambientais, administrativas e criminais.
Nas cidades, a restrição é ainda mais ampla: o uso do fogo é proibido durante todo o ano.
Casos de queimadas ou utilização irregular do fogo podem ser comunicados às autoridades pelo telefone 193, do Corpo de Bombeiros, ou 190, da Polícia Militar.
O cenário desta sexta-feira reforça a dimensão do problema durante a estiagem: enquanto 12 incêndios permanecem em combate em diferentes pontos de Mato Grosso, o monitoramento por satélite registrou outros 125 focos de calor em apenas 24 horas.
A diferença entre esses dois números também mostra por que o acompanhamento das queimadas precisa considerar não apenas a quantidade de focos detectados, mas principalmente sua localização, concentração, extensão e evolução. Em um período de vegetação seca e uso do fogo proibido, cada novo registro exige atenção para evitar que um foco localizado se transforme em um incêndio de maiores proporções.

