A investigação sobre a morte de uma recém-nascida encontrada dentro de uma caixa de papelão, em uma lixeira de um condomínio de Várzea Grande, ganhou uma nova dimensão após a perícia apontar que a criança nasceu com vida e chegou a respirar.
A mãe, identificada como Thauany Teixeira, de 25 anos, foi localizada pela Polícia Civil a partir da análise de imagens de câmeras de segurança. Ela foi chamada para prestar esclarecimentos e, durante o depoimento, reconheceu que aparece nas gravações deixando a caixa no local onde a bebê foi encontrada.
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O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Em seu depoimento, Thauany apresentou aos investigadores a versão de que não tinha conhecimento confirmado da gravidez. Segundo ela, o parto ocorreu inesperadamente durante a madrugada, enquanto o marido dormia.
A mulher afirmou que, ao perceber o nascimento, acreditou que a criança já estivesse morta. Ela então teria separado o cordão umbilical e colocado a recém-nascida em uma caixa, junto com a placenta e outros materiais do parto.
Posteriormente, levou a caixa até uma lixeira do condomínio.
Essa versão passou a ser confrontada pelos resultados da perícia. Os exames indicaram que a bebê apresentava sinais de que nasceu viva e respirou por um período, embora ainda não tenha sido possível estabelecer exatamente quanto tempo permaneceu com vida.
Por outro lado, os peritos não encontraram evidências de lesões provocadas por violência física ou sinais de asfixia. A causa exata da morte continua pendente de outros exames.
A identificação da mulher ocorreu depois que investigadores reconstruíram os deslocamentos registrados pelas câmeras de segurança do condomínio e de áreas próximas.
As imagens mostraram uma pessoa carregando um volume compatível com a caixa posteriormente encontrada com o corpo da recém-nascida. A partir desse material, a polícia conseguiu chegar até Thauany.
Segundo a investigação, ela inicialmente negou envolvimento, mas posteriormente admitiu ser a mulher registrada pelas câmeras e confirmou que era a mãe da bebê.
Além de tentar esclarecer como a criança morreu, a Polícia Civil investiga a possibilidade de ter ocorrido alguma tentativa de interromper a gravidez por meio de substâncias.
A hipótese ainda não está comprovada. Thauany negou ter utilizado medicamentos ou outras substâncias com essa finalidade.
Amostras recolhidas durante a investigação foram encaminhadas para análise laboratorial. Os resultados podem demorar semanas ou meses, dependendo dos exames necessários.
A investigada também concordou em fornecer material biológico para exames de DNA e outros procedimentos médicos. Os resultados deverão contribuir para confirmar vínculos genéticos e esclarecer as circunstâncias do parto.
Com a constatação de que a criança nasceu viva, a Polícia Civil passou a considerar inicialmente a possibilidade de homicídio. A investigação avalia que, diante da condição de mãe e responsável pela recém-nascida, Thauany teria o dever de buscar atendimento e socorro para a filha.
Isso não significa, porém, que a responsabilização criminal esteja definida. O enquadramento poderá ser revisto quando forem concluídos os exames e reunidas outras provas.
A eventual confirmação de uso de substâncias para interromper a gravidez também poderá levar à análise de outros crimes.
Agora, os investigadores tentam esclarecer principalmente quanto tempo a bebê permaneceu viva, o que provocou sua morte e se alguém além da mãe teve participação no episódio.
Até a conclusão da investigação, a responsabilidade criminal deverá ser definida com base no conjunto de provas e nos laudos periciais.

